sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ideias Inovadoras: Naked Communications



No ano 2000, 3 amigos – nenhum deles publicitário – resolveram criar uma agência de comunicação bem diferente. Seu foco: grandes idéias nascidas da complementaridade de pessoas com formação cultural diversa.

A Naked é uma agência sediada em Londres, com outros escritórios espalhados pela Europa, Estados Unidos, Ásia e Oceania. Sua grande inovação foi focar apenas na concepção de ideias e abrir mão de todas as demais etapas do processo, como execução, produção, compra de mídia e veiculação. Para isso, conta com um grupo de funcionários jovens, com idade entre 20 e 40 anos, que trabalham ao som de muito rock em um ambiente que parece fazer parte de algum filme do Harry Potter. Essa equipe de cerca de 200 pessoas é formada não apenas por publicitários. Fazem parte DJs, jornalistas, antropólogos, um psicólogo criminal - e até publicitários. Um dos fundadores, Will Collin, por exemplo, estudou química na universidade, e Jo Pearce, sócia-diretora, é formada em literatura inglesa.

As estratégias de comunicação elaboradas por esse grupo podem incluir desde a criação de um novo slogan, à mudança do design de lojas e embalagens ou concepção de vídeos virais, ou até mesmo à mudança de tom na discurso dos diretores nas conversas com acionistas . O foco é sempre nas ideias e não na execução, e a publicidade é apenas uma das ferramentas levadas em consideração. A proposta da Naked é em resolver problemas por meio de ideias de comunicação. Graças a essa perspectiva, a Naked ganha prêmios de melhor agência do ano, anualmente, desde a sua fundação.

Entre as mais de 100 grandes empresas atendidas pela agência estão nomes como Coca-Cola, Nike, Nokia, Honda e Sony. Todas elas atraídas pela fama de ‘usina de idéias’ que a agência criou. Segundo Collin, as agências tradicionais se transformaram em fábricas de anúncios e esqueceram que sua função é resolver o problema do cliente. Muitas vezes, diz, a empresa só precisa de uma boa idéia para reposicionar seu produto.

Ao contrário do que pode parecer, o tipo de trabalho desenvolvido na Naked obedece a um rigor quase científico. As reuniões têm hora para começar e terminar, e muitos dos participantes já chegam com dados lastreados em pesquisas. A colaboração também é uma das principais forças da agência. Para a Naked, o futuro da publicidade é reunir todas as pessoas responsáveis pela marca para um brainstorm para responder a uma simples pergunta: qual a mensagem certa comunicada da maneira certa por meio do canal certo para alcançar o consumidor certo? A resposta, segundo Collin, pode não ser um comercial de TV ou qualquer coisa que esteja dentro do domínio tradicional da publicidade e do marketing. Apesar de uma metodologia muito bem estruturada, os resultados são quase sempre muito criativos.

Numa campanha da fabricante de materiais esportivos Reebok para convencer os britânicos a praticar mais esportes, a Naked colocou um sofá motorizado para circular pelo centro de Londres. A mensagem era óbvia: saia do sofá, calce seu tênis e venha correr. Em outra, para a empresa de telefonia The Number, eles instalaram varais nas principais ruas de várias cidades inglesas. Em cada um deles havia camisetas penduradas nas quais se lia 118-118, o número para informações que a companhia queria divulgar. Em seis meses de campanha, a The Number tornou-se líder desse mercado, com uma fatia de quase 50%.

A agência é guiada por 4 princípios, chamados de Naked Truths, que regem tudo que é feito por lá. São eles:

1 - Tudo se comunica
55% da comunicação humana vem da sua aparência, 38% de como você soa e apenas 7% do que você diz. Mais de 90% do que você comunica não tem nada a ver com o que sai da sua boca. O mesmo é verdadeiro para as marcas. Portanto, precisamos gerenciar cada comportamento de marca, não apenas o que é dito em anúncios ou sites. O planejamento de comunicação precisa informar tudo que você faz, de inovação de produto ao serviço de entrega.

2 – As pessoas são seus sócios
Os consumidores não escolhem mais apenas consumir. Eles optam por criar e compartilhar nessa era do conteúdo gerado e do jornalismo coletivo. Portanto, é obsoleto pensar neles apenas como um alvo passivo que recebe mensagens da marca. Eles são, agora, potenciais parceiros da sua comunicação. As empresas deveriam começar a tratar seus consumidores como tratam seus funcionários. Devemos pensar na forma como os recrutamos, como os recompensamos, incentivá-los e promovê-los. E esse princípio se faz verdadeiro para qualquer tipo de público que tem contato com a marca – clientes, parceiros B2B, a mídia, os consumidores, os empregados, etc.

3 – Há uma maneira melhor
Apesar das grandes mudanças do consumidor e da mídia, o negócio do marketing não evoluiu quase nada. O setor, hoje, ainda é construído em torno dos mesmos silos de produção da era do marketing de massa. Até mesmo o digital se transformou em outro silo. Os proprietários de marca do século 21 herdaram a infra-estrutura de marketing e comunicação feita para uma especificação obsoleta. Há uma maneira melhor, uma maneira que exige repensar radicalmente sobre como produtos, serviços, temas e marcas estão conectados às pessoas. E é assim que a Naked trabalha.

4 – Veja a figura completa
É algo vital para navegar nesse mutável mundo de mensagens, canais e marcas. Portanto, é preciso pensar em resolver problemas antes de pensar em design e execução. Parece óbvio, mas muita gente faz o contrário.

6 Comentários:

Anie Karenina disse...

Muito boa matéria... um conceito muito na linha de Faith Popcorn do relatório popcorn.

Mel Danda disse...

Amei... será que tem vaga lá?!?

Uerlle Costa disse...

Matéria sensacional e muito interessante. As idéias de um grupo distinto de pessoas dentro de uma agencia de comunicação pode gerar coisas incríveis e que acima de tudo podem dar resultados positivos e absolutos em uma maneira geral.E creio que os consumidores não estão tão antenados apenas em possuir aquela a marca mas nas inovações que ela pode ter.
Bem bacana mesmo!!

Abraço.

Kelvin Miura disse...

Muito boa a matéria .... isso mostra o poder que uma idéia simples e prática tem na publicidae. Vai muio mais além que um simples design.

Rafael disse...

Com o mercado de comunicação no Brasil se apoiando cada vez mais em custo baixos, entregas imediatas; e com alguns anunciantes esfolando seus fornecedores. Acredito que este formato aplicado no Brasil ficaria restrito a estratégia apenas de grandes anunciantes wordwide.

Como planners, conseguimos aplicar um pouco deste conceito em nossas agencias?
Olhando pelo lado da viabilidade financeira de uma agência neste padrões, ela se sustenta? Seria uma Inovação no mercado ou um tiro no pé?

Parabéns pela texto e levantar esta discussão.
Abraços,

Roberto Sena disse...

Excelente artigo! Fz questao de cita-lo em um de meus últimos artigos! Completíssimo!

Artigo: Mudanças na publicidade atual (Parte 1) http://wp.me/ptLpm-18A

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