segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O fim das gravadoras como conhecemos



Em edição recente da revista Exame, li uma entrevista muito interessante com o João Marcello Bôscoli, fundador e presidente da gravadora Trama, na qual ele fala sobre a extinção do modelo de negócios baseado exclusivamente na venda de discos.

Ele afirmou que as gravadoras começaram a morrer quando declararam guerra à internet, e fez um paralelo que achei fantástico: ‘Foi uma burrice, equivalente a uma fábrica de velas tentar processar Thomas Edison por inventar a lâmpada.’ Segundo Bôscoli, o compartilhamento de música pela internet não tem volta – tornou-se algo natural. São as empresas que devem se adaptar a essa nova realidade, pois é muito difícil fazer com que as pessoas se adaptem ao que querem as organizações, digo eu.

O novo modelo, contou Bôscoli, será baseado na diversificação da atuação das gravadoras, e o momento é bastante oportuno para isso, já que a música nunca esteve tão presente na vida das pessoas - por meio de players portáteis, games, celulares, etc.

Como exemplo desse novo caminho, ele mostrou que as vendas de mídias físicas representam apenas 14% do faturamento da Trama. O restante da receita da receita vem da produção de shows, de programas de rádio e TV de uma editora própria, do agenciamento de artistas, do licenciamento de músicas e do aluguel dos estúdios.

Por isso mesmo, está preparando para lançar, gratuitamente, todos os 400 álbuns já lançados pela gravadora para download na internet. E quem pagará por isso serão os patrocínios captados pela empresa. Portanto, quanto mais pessoas baixarem suas músicas, mais a gravadora e os artistas ganham. Segundo ele, alguém sempre pagará pelas músicas, mas não mais o consumidor.

‘A música gera um laço perene. As empresas que patrocinam projetos procuram pegar carona nessa relação especial entre o ouvinte e o artista’, disse. Entre seus parceiros estão empresas como Volkswagen, Natura, Vivo e Microsoft.

Quanto ao fim dos Cd’s, o presidente da Trama afirmou ser algo que não deixará saudades, pois ‘ele risca, o encarte rasga e o estojo desmonta’.

Acredito que o raciocínio acima vale também para qualquer tipo de empresa que vive da produção e distribuição de conteúdo, como jornais, revistas, editoras, etc. Mais uma situação em que prevalece a base da teoria evolucionista de Darwin: ‘Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças'.

E você, o que acha disso tudo? Deixe seu comentário.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mais 12 e-books gratuitos sobre marketing e comunicação



Aqui vai mais uma lista com 12 e-books sobre os temas tratados aqui no blog, disponíveis gratuitamente e prontos para baixar. Dessa vez, há alguns poucos em português e inglês e o restante em espanhol. Para fazer o download, é só clicar no nome da publicação. Boa leitura!

1 - Web 2.0: Erros e Acertos - Um Guia Prático Para o Seu Projeto - Paulo Siqueira

2 - The Art of Community - Jono Bacon

3 - Fall of PR and rise of advertising - Stefan Engeseth

4 - Branding corporativo - Paul Capriotti

5 - Libro blanco de la comunicación en medios sociales - IAB España

6 - Publicidad e inmigración - AEAP

7 - El Código 2.0 - Lawrence Lessig

8 - TVE Sin Publicidad - Grupo M

9 - La marca y su construcción - Lluís Lleida

10 - Más allá de Google - Jorge Juan Fernandez

11 - El imperio digital - Leandro Zanoni

12 - Web 2.0 y empresa - ANEI y Comunidad de Madrid

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Evento obrigatório para qualquer planejador



Pessoal, só pra lembrar, vai acontecer no dia 30 de novembro, em São Paulo, a Conferência de Planejamento 2009, organizada pelo GP. É o maior e mais importante evento sobre planejamento das Américas.

O tema desse ano será MAIS, e vai discutir, em todos os sentidos, o valor do Planejamento. Segundo o presidente do GP, Ulisses Zamboni, é até possível produzir comunicação sem planejamento estratégico. No entanto, diz ele, com o planejamento, obtém-se sempre mais: mais foco, mais assertividade na mensagem, mais liberdade e ousadia para a criação produzir seu trabalho e, principalmente, mais retorno no investimento.

Os palestrantes já confirmados são:

• Pedro Cruz (VP de Planejamento da Africa)
• David Laloum (VP de Planejamento da Y&R)
• Isabele Perelmuter (VP de Planejamento da Fischer+Fala!)
• Roberta Rivelino (VP para América Latina da The Talent Business)
• Ernesto Bologna e Marcelo Maghidman (Sócios da empresa Seres Humanos de Negócios)
• Cesar Vacchiano (Presidente Ibero-Americano do Grupo Consultores)
• Graziela di Giorgio (Responsável pelo Grupo Consultores-SP)
• Mentor Muniz Neto (Sócio e VP Executivo de Criação da Bullet)
• Gustavo Fortes (Responsável pelo Planejamento da Espalhe)
• Ken Fujioka (VP de Planejamento da JWT)
• Leonardo Ganem (Presidente da Som Livre)
• Flávia da Justa (Diretora de Comunicação da Oi)
• Brad Kay (Presidente da SS+K NY)
• Luís Paulo Rosenberg (VP de Marketing do Corinthians)

Só tem feras, que abordarão o tema através de diferentes ângulos e opiniões.

É um daqueles eventos que não dá pra perder. Mas corra, pois as vagas são limitadas.

Pra saber mais informações e fazer sua inscrição, é só clicar aqui.

Campanhas Memoráveis: João Gabriel Fernandes

A campanha memorável de hoje foi escolhida pelo João Gabriel Fernandes, Diretor de Planejamento da Leo Burnett. Simplesmente sensacional...

"Como muita coisa que eu gosto de recordar já saiu por aí no seu blog, eu resolvi levar a palavra memorável ao pé da letra e de uma forma muito particular. Fiz um exercício para lembrar qual foi a primeira campanha memorável da minha vida. Daquelas que realmente mudaram meu comportamento e me fizeram querer passar mais tempo com elas e com o produto.

E cheguei no ano de 1989.



No final desse ano, a TecToy lançava o Master System aqui no Brasil (espero que os leitores do seu blog tenham vivido essa fase...). Foi um momento marcante para a indústria de brinquedos no país, tanto que até hoje dizem que o Master System foi o grande responsável pelo desenvolvimento do mercado de games Brasileiro. E foi marcante para mim também, primeiro como consumidor e agora como publicitário.

É bom que se diga que o produto por si só já era revolucionário: vinha com uma série de novidades, como o Óculos 3D, a Pistola Light Phaser e diversos jogos bacanas. Mas a comunicação teve um papel fundamental e materializou toda essa revolução de forma brilhante.

Começando pelo slogan, que já vinha impresso na embalagem, você já era colocado no clima: “É um jogo. Mas poderia ser verdade”. Até eu ganhar o jogo, foram dias babando nas lojas de brinquedos na frente das embalagens e pensando no que estava por vir. Em como seria atirar com aquela pistola e qual seria o visual que o óculos 3D proporcionava.

A TecToy também investiu pesado em comunicação, com filmes e anúncios sempre enfatizando a “realidade” que o jogo proporcionava. Desses, eu confesso que eu não lembro muito. Só lembro do bordão que eu repetia com os meus amigos: “É um jogo...”.



Porque o que realmente me marcou era algo muito mais poderoso que os filmes e anúncios: a TecToy também lançou mão de estratégias diferenciadas e sofisticadas de comunicação (até para os dias de hoje!) para fazer a molecada da época ter um relacionamento ainda mais forte com a realidade do jogo.

A primeira foi o projeto “Master Dicas”, uma série de programetes que passava à tarde na Globo ou na Manchete e que dava dicas dos diversos jogos lançados. Eu chegava a gravar as Master Dicas para revê-lase à medida que eu ia me dando bem nos jogos participava do universo Master System de um jeito ainda mais intenso. A verdade ficava mais real.






Outra coisa bacana foi o que eles fizeram para promover o jogo Zillion e a pistola Light Phaser: uma série de animès com 31 capítulos que passava na Globo com os personagens do jogo, sendo que o protagonista usava a Light Phaser. Ou seja: você assistia o desenho, se empolgava e comprava o cartucho e a pistola (se já não os tinha) e passava dias com a TecToy, do jogo pro desenho e do desenho para o jogo. E algumas vezes até levava a pistola para o playground do prédio para brincar de Zillion com os amigos no mundo real.

A Pistola e os jogos de tiro por si só já materializavam o conceito. Mas com o animè, você era ainda mais envolvido nas histórias dos personagens dentro do jogo e fora dele e isso tudo acabava sendo muito “real” para um carinha de 10 anos. A série chegou a ser considerada o melhor animè dos anos 80 pela crítica especializada, batendo favoritos do público como Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball.

Daí vocês devem estar se perguntando: porque eu to tirando isso tudo do baú?

Bom, é simples. Essa poeira toda tem muito a ver com o que penso sobre comunicação nos dias de hoje. Não me lembro de nada do filme ou do anúncio de lançamento que vá além do slogan (o que já é bom). Mas das Master Dicas e do Zillion eu lembro como ninguém. Porque ambas as ações me envolveram ou com utilidade, ou com entretenimento e me fizeram acreditar e viver tudo o que o produto propunha: um jogo muito mais real.

Essa “exceção” na propaganda aconteceu há quase 20 anos e ajudou o MasterSystem a ter mais de 80% do mercado brasileiro de consoles e jogos no início dos anos 90, enfrentando a forte concorrência da Dynavision e do Phanton System, que tinham o sistema Nintendo, o mais popular do mundo.

Muito provavelmente a TecToy e a Sega não sabiam dessa regrinha tão bem criada para organizar o trabalho de uma marca. Mas sabiam a pergunta que eles tinham que responder: como fazer um moleque jogar os nossos jogos por um bom tempo, durante anos?

Aliás, isso não é privilégio da modernidade. Há muito tempo temos isso: o Guia Michelin é uma prova de brand utility. Assim como as novelas da Lever são de brand entertainment. E nesse mundo moderno, nós estamos carecas de saber disso mas muuuuuitas não jogamos esse jogo.

Um abraço do João Gabriel Fernandes (vulgo Alex Kidd no começo dos anos 90).
"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Papo Cabeça: Ricardo Chester

A primeira vez que Ricardo Chester tentou trabalhar numa agência de propaganda foi na JWT. Ele tinha 14 anos e a agência era na rua da sua casa. “Preenchi a ficha para office-boy, mas não fui aceito”, conta. Aos 18 anos, ele conseguiu entrar em uma agência, mas do Banco Nacional, como caixa.

Seis meses depois, atraído por um cartaz na faculdade, ele começou como estagiário na MPM Propaganda, onde ficou 7 anos, mais um ano na MPM Lintas. Aí veio a peregrinação por várias agências: Talent, DPZ, AlmapBBDO, Loducca, GiovanniFCB, CarilloPastore, DM9DDB e JWT. Agora, ele encara um novo desafio, como sócio da Agência Babel. “De estagiário a sócio de agência fiz tudo que um redator pode fazer”, diz ele. “São 23 anos na estrada”.

Em entrevista exclusiva ao CHMKT, Chester conta sobre seu novo projeto, comenta sobre o momento da publicidade brasileira e, como não poderia faltar, fala sobre sua relação com o planejamento. Simplesmente imperdível...

1. Como o CHMKT é um blog sobre planejamento, vou começar com algumas questões sobre a disciplina. Qual foi seu primeiro contato com o planejamento, e qual foram suas primeiras impressões?

Na MPM com a Vera Aldrighi. A primeira impressão, no meio da década de 80, era de conflito. A criação na época tinha uma relação muito conflituosa com o Planning. Naquela época, planejador estava muito mais ligado a área de pesquisa do que hoje. Planejava-se marcas e campanhas, claro. Mas muito mais baseado em dados de pesquisa do que em insights de comportamento ou de consumo de mídia, por exemplo.


2. Na perspectiva da criação, quais os pontos positivos e negativos do planejamento?

Honestamente, vejo apenas pontos positivos. Não consigo imaginar mais a divisão entre Criação e Planejamento, porque, a rigor, ambos são atividades naturalmente criativas. O momento zero de um trabalho tem que contar com os dois profissionais. Acredito que hoje, em estruturas mais maduras, não exista mais esta divisão no "bigbang" da idéia.

Um ponto negativo que vejo, dos dois lados, é quando alguém assume o papel de filtro. Para filtrar tem que produzir. Ficar só no eu acho, aí sim, causa problema. Dos dois lados, claro.


3. E na perspectiva da agência?

Aqui trabalhamos de uma forma muito simples. Não temos a divisão. Os insights são caçados com Criação e Planning numa sala. Tudo muito simples. O que, aliás, ajuda muito no processo. A simplicidade.


4. Fale um pouco sobre a Babel.

Somos uma agência muito nova. Vamos completar dois anos inteiros de operação em janeiro de 2010. Nesse período temos conquistas que consideramos importantes. A maior dela: conseguimos, saindo do zero, atrair clientes para um modelo de agência que uniu 3 profissionais com origens diversas em suas carreiras. O nome da agência vem dessa diversidade. Hoje, mesmo com menos de dois anos, temos no portfólio da agência a comprovação de que nosso modelo pode realmente atender clientes interessados em comunicação multidisciplinar. On ou offline.


5. O que te motivou a deixar um alto posto em uma grande agência para montar a sua própria?

Na verdade, a própria oportunidade em si. Fui procurado por um dos sócios que me apresentou um modelo de agência interessante. Conhecia meus sócios desde a época de MPM, e eles fizeram uma linda carreira associados a um grande grupo de comunicação mundial. Eles trariam para um negocio uma experiência empresarial que eu não tive. E posso dizer que nesses dois anos tenho aprendido muito com eles e com a iniciativa de manter um negócio próprio.


6. Como a Babel se diferencia da concorrência? Em outras palavras, por que uma empresa deveria escolher a agência como parceira?

Dizer que a Babel se diferencia das outras agências seria de uma arrogância que não nos caracteriza. Porque suporia um modelo único e tudo que a gente não quer aqui é sair vendendo um discurso. Somos da mão na massa e esses dois primeiros anos têm nos ajudado a concretizar esta posição. Aqui o release sai sempre depois do trabalho. Não fazemos prospecção no blábláblá. Portanto, sem querer me diferenciar de ninguém, diria que a Babel é uma agência que junta a experiência vitoriosa de três sócios com mais de 20 anos de mercado cada um. Sócios novos e ainda muito dispostos a erguer uma empresa que faça um trabalho bacana e destacado para seus clientes. Com um ambiente de trabalho baseado na simplicidade, no orgulho do trabalho na rua. E no resultado cada vez mais positivo para quem acreditar na gente. Simples assim.


7. Vocês têm um departamento de planejamento na agência?

Sim. Ele é dirigido pelo Reginaldo Ferrante, sócio da agência. Hoje são três profissionais na área.


8. Na sua opinião, quais são os principais desafios de uma agência nova no mercado? Como vocês lidam com eles?

O primeiro deles, e o mais importante: oferecer um produto que a faça sobreviver aos primeiros três anos. Identificar oportunidades de negócios nos clientes que passem longe da oferta da grande maioria das agências. Para todas as agências, e não apenas as mais novas: identificar, diagnosticar e participar da revolução midiática, especialmente a digital. Garantir a confiança do cliente, trabalhando para ele, e não para o release que você pode fazer com ele.


9. Como você vê o atual momento da publicidade brasileira? E quais as perspectivas para o futuro?

Estamos sediados no país que melhor suportou a crise econômica entre todos os com economia emergente. Estamos no país que foi agraciado por pelo menos 8 anos de foco global. Copa e Olimpíadas. Estamos no país que acaba de descobrir que será um dos maiores fornecedores de energia motriz dos próximos 50 anos. Estamos num país com estabilidade política. Estamos num país que aprendeu a conviver com uma visão positiva. E que colocou sua inteligência a serviço da evolução econômica. Claro que ainda há questões como o excesso de impostos, os serviços públicos ainda precários e a educação que parece ainda não ter achado um rumo. As perspectivas são ótimas. É uma sorte viver este momento.


10. Você poderia apontar um case em que participou no qual o planejamento teve um papel fundamental?

Sprite, ano 2000. O conceito do produto era: imagem não é nada. Sede é tudo, Sprite. Por pesquisa identificou-se que o target não entendia muito bem. Uai, se imagem não é nada, porque Spirte faz propaganda. Então o Planning propôs uma desconstrução do slogan, anos e anos antes deste termo virar "bacaninha". Planning da época estava a cargo da Marina Campos e do Ken Fujioka, dois caras da seleção brasileira dos planners. Fizemos uma campanha em cima disso, demos a sorte de ter um cliente corajoso o suficiente em aprovar tal manobra e o trabalho fez um sucesso grande. Até outro dia era lembrado como propaganda de Sprite. Veja você.








11. O que o pessoal da criação pode aprender com o planejamento? E o que o pessoal do planejamento poderia aprender com a criação?

Honestamente, acho que nada. Este é o "x" da questão. Não se pode achar que entre criação e planejamento alguém tenha o que ensinar algo a alguém. O pepino é grande e criação e planejamento juntos são duas facas juntas. E duas facas descascam um pepino muito mais rápido e fácil.


12. Para finalizar, que dica você dá aos profissionais que estão iniciando na publicidade?

Se tivesse vinte anos hoje, pediria estágio no planejamento.


13. Por que?

Porque me parece que hoje é o departamento com maior chance de evolução, ao lado da mídia. Veja o que aconteceu com a oferta de mídia nos últimos 5 anos na comunicação. O Twitter ainda não sabe como ganhar com anunciantes. Imagine a hora que souber. Os planners serão, acho, os caras mais valorizados do mercado em pouco tempo. Eles podem ser a origem das multiplataformas que cobrirão todas as mídias existentes. Muito mais do que o redator do filme, o diretor de arte do hotsite ou, enfim, o criativo, como ainda chamamos hoje. Os caras dos insights - criativos ou planners - serão os caras. É por isso.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

'O planejamento é impotente?' - LEGENDADO

Conforme anunciei na semana passada, segue abaixo o primeiro episódio do documentário SPUR, criado pela redscout em parceria com o PSFK.

Intitulada 'O planejamento é impotente?', essa primeira parte fala de uma possível crise de identidade que a disciplina vem enfrentando. Vale a pena.



Meus agradecimentos ao Rafael Leite, da Napse, pela ajuda na transcrição.

O verdadeiro significado da interatividade



Achei fantástico um texto recém publicado pelo Collin Drummond, Diretor de Planejamento que lidera o departamento de insights culturais e de negócios da Crispin, Porter + Bogusky, no seu blog, sobre a necessidade de tratarmos a interatividade de forma mais ampla.

Ele comenta que a ‘interação’ passou a ser um termo associado ao mundo digital. Quando se fala em interatividade, diz ele, a maioria logo pensa em computadores, internet, tecnologia, redes sociais. No entanto, conta, a CP+B sempre foi uma agência interativa, mas entrou para o digital em 2004, com a campanha Subservient Chicken. Muitos dos melhores trabalhos da agência, como a campanha para o Mini e a anti-tabaco Truth, comenta Collin, foram interativas pois permitiam algum tipo de resposta ou envolvimento por parte das pessoas. Ele sugere, portanto, que retomemos a definição mais ampla de interatividade: uma comunicação de duas vias, com uma relação interdependente entre usuários e criadores, com uma experiência total que não seria tão interessante, útil ou divertida se fosse de apenas uma via. Na verdade, conta, essa comunicação seria inviabilizada nessa situação, pois depende inteiramente do envolvimento das pessoas.

Para isso, afirma Collin, os planejadores devem assumir a responsabilidade em prover insights que incluam essa definição mais ampla de interatividade. Assim, não dá pra existir separação entre planejamento e experiência do usuário. Os insights e estratégias precisam informar sobre todos os tipos de interação, diz ele - sejam interações de marca, varejo, produto ou digital.

Para exemplificar, ele aponta um projeto recente da agência, o Shocking Barack, em que apostaram em correr esse ricso e depender da participação. Feito para o cliente Brammo, fabricante de motocicletas, a campanha é estrelada por 2 motoqueiros - Dave Schiff (diretor de criação da própria Crispin, Porter + Bogusky, responsável pela campanha) e Brian Wismann (diretor de desenvolvimento de produtos da Brammo) - que estão fazendo seu caminho até Washington D.C., na esperança de encontrarem o presidente Obama e chocá-lo com uma novidade da marca: a primeira moto elétrica desenvolvida para rodar em estradas. Além de usarem redes sociais, a interação se dá no fato deles estarem confiando na generosidade das pessoas que encontram no caminho para dar-lhes um lugar para dormir, comida, e também pelos pedidos de divulgarem seus passos nas redes sociais. Ainda, para quem deseja conhecer os aventureiros, há um GPS que aponta, no site, a sua localização exata. Ou seja, se as pessoas não responderem ao estímulo, não há campanha. O risco é grande, conta Collin, já que não dá pra prever o que vai acontecer. A maior resposta necessária será a do presidente. Se ele não aceitar, toda a campanha pode ir por água abaixo.

Sobre esse mesmo post, o Gareth Kay fez um comentário bem pertinente, quando diz que, frequentemente, esquecemos que interação e digital não são canais, mas, sim, um tipo de comunicação. Aliás, diz ele, trata-se do único tipo de comunicação verdadeiro, se levarmos em conta que esse conceito implica em um emissor, um receptor e uma resposta. Ele pontua também que outro ponto que esquecemos é de que não é a tecnologia que é interessante e significativa, mas sim o que ela está fazendo para a cultura e para o comportamento humano.

Voltando ás palavras do Collin Drummond, ele fecha o texto contando que, na CP+B, o departamento que ele dirige - que, tradicionalmente, seria chamado de planejamento – é formado, atualmente, por planejadores, jornalistas investigativos e antropólogos. Para potencializar ainda mais a questão da interatividade, sobre a qual ele fala, um quarto tipo de profissional será incorporado: o planejador de experiências. Trata-se de um profissional que combina habilidades de design e estratégia para criar experiências com o usuário. Trata-se de uma área muito promissora para profissionais que desejam atuar na área de planejamento. Fica a dica.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Evolução das Marcas: PARTE 33

Yale University



Carrefour



California State Lottery



Associação Brasileira de Gestores de Viagens Corporativas



ANZ National Bank



Dicionário Priberam da Língua Portuguesa



BreastCancer.org



Darien Library



Granado Laboratórios



Telecom

Campanhas Memoráveis: Bernardo Fernandez e Silvia Curiati

A campanha memorável de hoje foi escolhida pelo Bernardo Fernandez, que já foi Diretor de Planejamento da NBS e da Giovanni e hoje é professor da ESPM e do BootCamp Rio da Miami Ad School, e pela Silvia Curiati, Diretora de Planejamento da OgilvyOne & Interactive. Vamos lá...



Bernardo Fernandez

“Seria injusto eu apontar uma campanha, já que há um sem-número de campanhas brilhantes. Então, penso que seria mais correto eu fugir de produtos e serviços e enveredar pelo político. Muito antes da campanha do Obama virar moda e ganhar Cannes, eu comentava com amigos, pares e alunos que estavam conseguindo realizar o impossível: transformar a política em assunto cool, o político em ícone mundial e os Estados Unidos (de desgastada imagem e reputação, fora do seu território) em nova sensação do momento. Acho que as três coisas não aconteceram nunca ao mesmo tempo, como resultado de uma campanha. Então considero o "caso" Obama o mais surpreendente, pelo uso integrado das ferramentas, pela brilhante segmentação dos estímulos por meio de contato e contexto, pela percepção de que o impacto de novas formas de comunicação poderiam alavancar novas e mais poderosas formas de coesão e de solidariedade sociais (diferente das do século XX) e pelo tipo de resposta que produziu, em escala planetária sobre os jovens. Ele é o cara, digo, o "caso", na minha opinião.”

Silvia Curiati

“Campanhas memoráveis para mim, têm a ver com relevância para o target. Então, se eu disser que uma das campanhas mais memoráveis de toda a minha vida era a da Melissinha, da Talent (com pochete, com relógio, com maquiagem), podem até rir de mim. Mas para uma garota que se achava adulta e queria estar na moda na escola, nada mais relevante e apropriado que aquela campanha. Lembro da trilha de uma delas, em francês. Lembro de detalhes das falas. Isso é memorável.

Memorável mexe com a emoção da gente, faz rir ou chorar, e por isso se faz lembrar. Quem não sabe a fórmula do Chokito? Leite condensado, caramelizado, com flocos crocantes e o delicioso chocolate Nestlé? E a do Big Mac? Dois hamburgers... Café Seleto, Bala de Leite Kids, Duchas Corona. Todas com jingles sensacionais - algo que, na minha opinião, ajuda muito a gravar.

Mas falando nos dias de hoje, algo que já é lugar comum, e será um marco para sempre, obviamente é a campanha 360 graus de Obama. Por várias razões:
- Nunca houve nada parecido na política mundial.
- Relevância, de novo - saber o que dizer ao seu público é essencial.
- Além disso, saber onde dizer: ele não chamou as pessoas a ele, mas foi onde elas estavam.
- Transformou-se em marca, em produto.
- Criou afinidade, aproximou-se, não teve medo de se expor e deixar que falassem.
- Levou a sério o sentido da colaboração, das redes sociais. Usou as informações que recebeu.

Enfim, é completa, é envolvente, charmosa, atual, vanguardista. Era uma estratégia que eu queria ter bolado.“

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por Dentro: Jack Daniels Distillery - Lynchburg, Tennessee, EUA

























quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Um vídeo documentário sobre planejamento - Trailer LEGENDADO



Esse vídeo aí em cima é o trailer de um documentário sobre planejamento que será disponibilizado, em partes, pelos próximos dois meses, no PSFK. Chamado SPUR, o projeto vai explorar a interseção entre as marcas, estratégia, inovação e o mundo do planejamento. A ideia é levantar discussões e inspirar quem atua na área.

A Redscout, responsável pelo projeto, anunciou que quer virar o planejamento de cabeça para baixo, fazendo com que os mais diversos tipos de planejadores – os da elite, os rebeldes e os novatos, de agências grandes ou periféricas – coloquem a cabeça para funcionar nas discussões de assuntos interessantes da área.

Entre os planners que participam da série estão: Douglas Atkin, Writer, da MeetUp.com; Devika Bulchandani, da McCann Erickson; Dan Cherry, da Anomaly; Piers Fawkes, fundador do PSFK; John Gerzema, da Young & Rubicam; Heidi Hackemer, da BBH; Robin Hafitz, da Bond Senecal & Partners; Sally Jones, da Tangerine; Gareth Kay, da Goodby & Silverstein; Hank Leber, da Nil; Domenico Vitale, da People, Ideas & Culture; Freya Williams, da Ogilvy Earth; e Paul Woolmington, da Naked.

Os episódios serão disponibilizados, aqui, assim que forem lançados.

Minha intenção é legendar tudo, para que o acesso seja bem democrático. Alguém topa me ajudar nas tradições? É só entrar em contato pelo e-mail chmkt@yahoo.com.br. Vai ser uma ajuda e tanto!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Tendências para o futuro do marketing

Ontem, me deparei com um texto fantástico do Gareth Kay, Diretor de Planejamento Digital da Goodby, Silverstein & Partners, sobre o futuro do Marketing.

O Gareth, para quem não sabe, é um profissional fora de série, que foi apontado pelos planejadores que participaram da última Planning Survey como o mais respeitado Diretor de Planejamento do mundo, quando ainda estava na Modernista. Já entrevistei ele aqui no CHMKT, já publiquei os 7 Pecados Mortais do Planejamento, uma obra prima que ele apresentou em 2007 na já extinta conferência do 4As, e falei sobre a apresentação que fez no Planning-ness.

Nesse artigo de Maio de 2009, chamado The Future Of Marketing, ele diz o seguinte:

“Pegue qualquer publicação do setor ou leia qualquer blog sobre marketing recentemente e provavelmente verá a lei de Amara funcionando: ‘Nós, invariavelmente, superestimamos o impacto de curto prazo das novas tecnologias enquanto subestimamos os efeitos de longo prazo’. Lemos muito sobre a pressa em fazer algo no próximo fenômeno tecnológico – fazer algo no Facebook, estar presente no Twitter, ou, ainda, lançar uma campanha de marketing viral. Mas muito pouco é dito sobre o impacto que a tecnologia terá na cultura no longo prazo, e sobre como isso pode desafiar as convenções sobre as quais construímos nossos programas de marketing nas últimas décadas.”

Ele completa dizendo que não seria tolo o suficiente para afirmar que é capaz de prever o futuro, mas fala de 4 sinais bem interessantes que ajudam a enxergarmos para onde o marketing está indo. São eles:

1. As marcas serão construídas a partir de missões culturais e sociais, e não de propostas comerciais.

O marketing é, historicamente, obcecado com o conceito de posicionamento – como você se difere dos concorrentes da sua categoria. Cada vez mais, as grandes marcas percebem que as pessoas não enxergam categorias e não são obcecadas por elas. O que realmente importa é ter um ponto de vista sobre o mundo, uma missão cultural para pedir que as pessoas acompanhem. Você pode começar a ver isso ganhando vida em idéias de marketing como a ‘Campanha pela Real Beleza’, da Dove, e, mais importante, inseridas no DNA de alguns negócios. A Howies, fabricante de roupas do Reino Unido, é um ótimo exemplo. Seu fundador Dave Hieatt disse, ‘Não estamos tentando vender coisas. Estamos tentando fazer as pessoas pensarem sobre algo.’ Essa crença (fazer as pessoas pensarem sobre o mundo ao seu redor) é auto-evidente em tudo que a marca faz, dos seus catálogos ao design da loja.


2. O marketing será o que você faz, e não o que você diz.

O marketing, até hoje, vem sendo construído na noção de dizer coisas às pessoas, ao invés de fazer coisas para as pessoas. O bom marketing será, cada vez mais, sobre o que você faz, não sobre o que você diz. E isso significa que, ao invés de ser um silo dentro do negócio, o marketing precisa ser uma filosofia de toda a organização. Grandes ideias de marketing, hoje e no futuro, tendem a ‘viver’ nas operações (pense no não-anunciado upgrade do prazo de entrega da Zappos para uma noite ou na compra de um único clique do Amazon.com), no design do varejo (registro através de dispositivos móveis nas lojas da Apple para acabar com filas e ampliar a interação entre equipe e consumidores), ou Recursos Humanos (veja o livro de cultura da Zappos).


3. Muitas pequenas idéias, não uma grande ideia.

O futuro do marketing está em quebrar a tirania da grande ideia, por duas razões:

Primeiro, devemos lembrar que enquanto o marketing (e as marcas) existem para um propósito comercial, vivem em um espaço cultural. E cultura é algo muito mais rico, profundo, complexo e cheio de nuances do que 99,9% do marketing. O marketing será mais culturalmente interessante se for feito de várias ideias coerentes ao invés de repetir consistentemente uma única ideia.

Segundo, dada nossa habilidade de prever o futuro (apesar das fortunas gastas com pesquisa), faz muito mais sentido começar vários fogos para ver quais pegam pra valer e fazer diversas pequenas apostas, ao invés de colocar tudo de uma só vez. Nós precisamos pensar em investir um grande número de pequenas apostas, aprender com elas e, então, aplicar mais nas ideias que parecem estar funcionando (é importante lembrar que isso se tornou algo prático pelo fato da internet ter reduzido os custos de erro à quase zero).


4 – As pessoas em primeiro lugar.

No futuro, o marketing será colocar as pessoas em primeiro lugar. Pode soar ridiculamente óbvio, mas, geralmente, o marketing se dá em convencer pessoas de como você é bom, ao invés de trabalhar o que as pessoas se interessam e como você, neste contexto, pode ajudar ou adicionar valor.

Um ótimo exemplo é a campanha Tate Tracks, criada pela Fallon London para a galeria Tate Modern. Eles precisavam aumentar o número de visitantes com menos de 25 anos e, rapidamente, perceberam que as convenções do marketing de galerias – exibir arte – não favoreciam à mudança de comportamento. Ao invés, eles pensaram em algo pelo que esse público fosse fascinado – a música – e criaram uma campanha em torno disso: a arte inspirando música nova e exclusiva.

Decidi compartilhar esses pontos colocados pelo Gareth, pois, ao meu ver, são caminhos bem evidentes e coerentes. Aqui no Brasil, as marcas estão mergulhadas – com poucas exceções – na filosofia tradicional de propostas comerciais, de dizer coisas, de ter uma única grande ideia, e de partir da visão da empresa, e não dos interesses das pessoas.


Na minha opinião, as grandes marcas do futuro serão as que desenvolverem habilidades para estabelecer uma conexão cultural que leve a resultados comerciais, fazer coisas interessantes para depois comunicá-las, ter pequenas ideias que se transformem em grandes ideias (incluindo trabalhando diversos ‘humores’ para a marca para ocasiões diferentes) e entender as pessoas como forma de fortalecer a empresa.

Além disso, vale a dica do Gareth de que, além do curto prazo, a gente pense sobre os impactos futuros dessas novas tecnologias e quais serão os impactos culturais e sociais disso tudo. Vale a reflexão.

Qual a sua opinião? Deixe seu comentário.

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